Doze cirurgias já no 1º dia de atendimentos

Foram realizados procedimentos de hérnia, vesícula e remoção de cisto

Millena Grigoleti 12/2/2020

Cirurgias, exames e consultas. O primeiro dia de atendimentos no Barco Hospital Papa Francisco, na comunidade de Ipanema, em Prainha (PA), foi bem movimentado. Moradores locais - são cerca de 300 às margens do rio Amazonas - e de comunidades vizinhas foram já de madrugada em busca de profissionais de saúde - algo que só conseguem com deslocamento grande.

"Esse dia foi muito top. É o dia a dia do barco. O movimento começou cedo, triagem, ver as pessoas. De manhã é um pouco mais confuso, mas depois entra no trilho. É uma satisfação ver os voluntários dando um pouco de si e a comunidade que apoia a gente. Temos só a agradecer a Deus por essa oportunidade. O barco era um sonho e agora é uma realidade", diz o frei Joel Souza, que atua no Pará pela Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus, com sede em Jaci.

Já no primeiro dia, foram realizadas 12 cirurgias - incluindo vesícula, hérnia e remoção de cisto. Entre os exames, foram 40 de ultrassom, 75 de raio-X, 15 eletrocardiogramas e 57 oftalmológicos. Ao todo, foram 185 consultas e 148 exames laboratoriais.

A triagem e o atendimento começaram logo no início da manhã. Filas se formaram na escola da comunidade e nem a chuva impediu o movimento. O local reservado para triagem, no barco de apoio ao principal, ficou lotado. Corredores também ficaram cheios de pacientes à espera de consulta médica ou de exame. Os profissionais de saúde voluntários são oftalmologista, anestesiologista, cirurgião dentista, neurologista, fisioterapeuta, clínico geral e ortopedista.

É de um ortopedista que o pescador aposentado Davino Ibiapino da Silva, 80 anos precisava. Com dores na perna direita, que vão e voltam, estava feliz com a possibilidade de passar por um especialista. "De noite essa perna dói, eu estou doente desse lado aqui (mostrando a perna direita). O médico já deu injeção, mas não resolve".

A mulher dele, a aposentada Maria Nilza, 82 anos, também passou por ortopedista. "Para os ossos. Dor nas mãos, muito adormecimento. Não tem ortopedista por aqui, só em Monte Alegre ou Santarém (que ficam a duas e sete horas de barco, respectivamente, de Ipanema)", disse. Na hora do almoço, a Associação serviu alimentação aos pacientes e acompanhantes.

A nona expedição do barco segue até a próxima terça-feira, 18, e vai passar também pelas comunidades de Purus (entre quinta e sexta, 13 e 14) e Vira Sebo (de sábado a terça-feira, 15 a 18), ambas também na cidade de Prainha - que tem cerca de 30 mil habitantes.

A repórter Millena Grigoleti viajou ao Pará a convite da Associação e Fraternidade Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus.

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